EXAMES DE ALERGIA

ALERGIA E SEU DIAGNÓSTICO

     O diagnóstico da doença alérgica é multifatorial e inclui uma história cuidadosa, exame médico e teste confirmatório. Os testes laboratoriais para o IgE total e específico estão disponíveis como um auxiliar no diagnóstico e oferecem muitas vantagens ao médico e ao paciente. Um diagnóstico preciso conduzirá a uma terapia apropriada e um paciente mais saudável.


::. Uma Visão Geral.::
     O diagnóstico da alergia é algumas vezes complexo e o histórico clínico requer a consideração de muitos fatores. Os alergologistas tendem a concordar com estes fatores, mas nem sempre com seu grau de importância. Há várias situações cujo diagnostico não pode ser concordante com um painel de um alergologista experiente. Então, o histórico clínico irá requerer uma evidência corroborativa, na qual ambos, a mensuração do IgE ou algum teste de provocação, poderão ajudar na confirmação da alergia atópica.


::. A Natureza da Alergia .::
     A alergia atópica é clinicamente definida como uma reação de hipersensibilidade imediata mediada pro IgE sendo este o centro da alergia atópica. A tendência de adquirir atopia é hereditária, mas não somente um simples mecanismo Mendeliano.
     Ao pais que produzem altos níveis de IgE tendem a ter filhos com altos níveis de IgE. Mas a simples produção de imunoglobulina não é suficiente para causar doença. Por este motivo o diagnóstico deve ser ampliado para incluir o IgE específico direto contra um ou mais antígenos envolvidos, tais como polens, animais, microrganismos, fungos e alimentos. Os antígenos que provocam uma resposta de IgE específico são chamados de alérgenos.
     O IgE alérgeno específico parece ser controlado por dois fatores dominantes; a exposição e a habilidade de reagir a alérgenos específicos. O meio ambiente irá determinar a quais desses materiais um indivíduo estará exposto. O nível de exposição pode ser um fator para produzir uma resposta imune a um dado alérgeno em potencial. Pessoas predispostas a desenvolverem altos níveis de anticorpos IgE e a habilidade de responderem a alérgenos específicos parecem ser genéticos e associados com o halótipo HLA do indivíduo. A alergia é uma doença imune causada pela interação do meio ambiente com a genética do indivíduo.


::. As Alergias Comuns.::
     A alergia pode causar uma reação órgão específico ou sistêmica. Esta doença tende a ser classificada por sintomas de órgãos envolvidos. As alergias mais comuns são: asma, rinites, dermatites e alimentares.


1) A asma é uma das mais problemáticas doenças alérgicas. Os pacientes asmáticos podem se tornar severamente debilitados e podem vir a falecer como resultado do comprometimento das vias aéreas inferiores. O mais alarmante, é que a incidência de asma está sendo relatada como crescente. Os sintomas característicos da asma são: respiração curta, dificultosa e tosse. A asma possui uma forma alérgica (“extrínseca”) e também uma forma não alérgica (“criptogênica”), as quais podem ser diferenciadas pela presença ou ausência do IgE específico.


2) A rinite é a mais comum das doenças alérgicas, afetando as vias aéreas superiores. A rinite pode ser sazonal ou perene. Uma das formas mais freqüentes é a febre do feno. Pessoas que sofrem de rinite alérgica podem ter vários sintomas incluindo a congestão nasal, rinorréia, corrimento pós-nasal, espirros freqüentes, coceira nasal, coceira com lacrimejamento ocular, dor de cabeça e perda do olfato e do paladar.

3) As dermatites podem ser tanto mediadas por IgE ou causadas por outro mecanismo como um tipo de hipersensibilidade tardia. Na dermatite do tipo alérgico, as crianças podem ter erupções ou sintomas gerais, tais como eritema severo, papulovesicular, lesões exudativas ou com pruridos. Nos adultos, a presença dos sintomas são geralmente pruridos papulares ou dermatite crônica. A dermatite atópica está freqüentemente associada à asma e/ou a rinite. Outra manifestação dérmica da doença alérgica é a urticária. Elevações cutâneas, pútricas, eritematosas, as quais empalidecem com pressão, edema local e angioedema são freqüentemente observados nas reações alérgicas da urticária.


4) Reações adversas com alimentos tendem a envolver o trato gastrointestinal, mas também podem ser sistêmicas. Algumas das reações anafiláticas mais severas são causadas por alimento. Muitas pessoas morrem anualmente de tais ocorrências. Os sintomas orofaringeanos mais comuns das reações alérgicas a alimentos, incluem prurido labial, mucosa oral, palato e faringe. Os sintomas e sinais do trato gastrointestinal incluem: náusea, vômito, cólica, dor, distensão abdominal, flatulência e diarréia. Reações sistêmicas podem ocorrer em qualquer órgão, mas as alergias alimentares freqüentemente manifestam reações dérmicas como urticária aguda e angioedema. É importante compreender que as reações adversas a alimentos nem sempre são alergias alimentares. Nas crianças, com exceção a intolerância ao leite, grande parte das reações alimentares adversas são medidas por IgE. Nos adultos, menos de um terço das reações adversas com alimentos são relacionados ao mecanismo de IgE, mas são pouco compreendidas nos dois terços restantes.


::. Testes Confirmatórios.::
     Após determinar que o paciente possa ser alérgico e que os possíveis alérgenos possam ser identificados pela história e pelos sinais apresentados, o diagnóstico necessita ser confirmado. Testes confirmatórios são usados para verificar quais reações imunes mediadas pelo IgE podem ser demonstradas.


::. IgE Total.::
     Um teste laboratorial comum que pode auxiliar no diagnóstico da alergia é um ensaio de IgE Total. Altos níveis circulantes do anticorpos IgE são usualmente associados com a alergia e/ou parasitose. A distribuição dos níveis de IgE Total em indivíduos normais e alérgicos se sobrepõem, mas, pacientes que possuem um IgE total inferior a 10 kU/L são poucos prováveis de terem alergia enquanto que os com mais de 200 kU/L são muito prováveis.
     Esses valores de corte dependem da população a ser testada. A grande maioria dos espécimes testados para o IgE total irão cair entre os extremos, nos quais será preciso aplicar testes adicionais para um diagnóstico preciso. Os níveis de IgE total podem ser muito úteis em crianças com menos de 1 ano de idade, quando os níveis de IgE devem ser muito baixos, certamente menor que 20 kU/L; níveis altos são predictivos de uma alergia na infância.


     A causa das alergias deve ser identificada para auxiliar o curso do tratamento em um indivíduo alérgico.


::. Alérgeno Específico IgE .::
     O teste de alérgeno específico IgE é um teste in vitro que mensura o IgE alérgeno específico. Os ensaios de IgE específico utilizam alérgenos, tanto individual quanto em combinação de vários alérgenos. Para testar o IgE específico, é necessário uma amostra de soro, à qual será testada com qualquer uma das centenas de alérgenos específicos. A determinação da reatividade dos alérgenos individuais fornecem informações relevantes para certas terapias como a terapia de supressão ou a imunoterapia. Os testes de screen multialergênicos são efetivos no diagnóstico da alergia individual e úteis em certas situações. O procedimento laboratorial é conveniente para o paciente e não possui qualquer reação alérgica adversa de risco. Não é necessário remover o paciente anti-histamínicos ou outras medicações que ele possa estar tomando, em razão da mensuração do IgE específico não ser susceptível a interferência de droga. O soro coletado para o teste pode ser armazenado e congelado por meses ou anos para ser testado com alérgenos adicionais.


::. Painéis.::
     Ensaios de IgE específico estão disponíveis e podem ser testados por vários alérgenos em uma única amostra de soro e efetivamente detectar o IgE específico para alérgenos inalantes. O screen multialergênico é uma estratégia à qual pode ser feita dentro de um tipo de alérgeno, tais como gramas, ervas daninhas ou epitélios animais, chamado painel vertical. Os painéis podem ser também horizontais. Esses incluem alérgenos individuais de cada um dos vários tipos (exemplo: grama, epitélio animal e poeira caseira). O screen possui vários alérgenos combinados em um único teste. Testando-se uma amostra de soro e um dado screen tem-se o resultado de vários alérgenos de uma única vez, mas somente indica uma possível especificidade.


     O screen multialergênico é particularmente efetivo quando usa-se um painel horizontal para os alérgenos inalantes, como o AlaTOP. Quando se testa amostras de pacientes com o AlaTOP, indivíduos alérgicos a inalantes são eficientemente detectados em razão da reação cruzada dos alérgenos e a alergenicidade. Os constituintes alergênicos representam materiais altamente alérgicos encontrados em uma larga distribuição global. Usando-se um AlaTOP e uma estratégia de screen com IgE total em pacientes com história fracamente definidas, é um método efetivo dos laboratórios para excluir os pacientes clinicamente negativo e reduzir a freqüência dos ensaios com resultados IgE específico negativos.


     Orientação para o uso dos testes in vitro IgE na avaliação e acompanhamento do diagnóstico inicial de alergia nos pacientes. Quando os testes para os alérgenos específicos IgE forem selecionados baseados nos alérgenos mais comuns, como ácaros, epitélio animal ou descamação e polens. Os polens são selecionados baseados na flora local e estação do ano. Certos alérgenos podem ser sugeridos pela história do paciente (exemplo: alimentos ou látex para os trabalhadores na área da saúde). Quando um alérgeno individual for identificado, alérgenos adicionais do mesmo tipo podem ser testados baseados na exposição (exemplo: se um alérgeno alimentar for positivo, selecionar alérgenos alimentares adicionais).